Muitos empresários do nosso setor varejista pouco conhecem de maneira mais profunda, a famosa “SELIC” e o quanto ela influencia em nosso dia a dia.
A SELIC nada mais é que o “preço do dinheiro”, porquanto o dinheiro é uma mercadoria com qualquer outra, submissa a lei da oferta e procura, ou seja, quanto maior a procura pelo dinheiro, mais alto será o custo para adquiri-lo.
Estima-se hoje que cerca de 70% das vendas feitas no mercado varejista são vendas a prazo e, nesse sentido, há grande necessidade de empréstimos - busca de crédito) – compra de dinheiro. Desse modo, quanto mais dinheiro os bancos têm para oferecer aos seus clientes, menos eles cobram pelo empréstimo, contudo, quanto mais se compra dinheiro, mais caro ele fica. E o preço que os bancos cobram é a taxa de juros. Os bancos precisam captar recursos no mercado para poder emprestar. Para atrair esse capital eles remuneram os clientes que depositam dinheiro com base nessa taxa de juros. Portanto, por definição, o que o banco lucra é a diferença entre a taxa de juros paga ao depositante e a taxa cobrada de quem pega um empréstimo. É o chamado spread.
A economia tem diversas taxas de juros e uma delas é a Taxa Referencial, a famosa TR que remunera, entre outras coisas, os depósitos da caderneta de poupança. A taxa SELIC é o resultado da média diária das negociações dos títulos públicos federais.
Assim, o COPOM - Comitê de Política Monetária do Banco Central – que estabelece as diretrizes da política monetária e define a taxa de juros, tem aumentado sucessivamente desde o ano passado - a nona seguida - tendo alcançado no fim de maio o número de 19,75% ao ano.
Diversos empresários e entidades têm criticado essa alta taxa de juros, pois na medida que se eleva à taxa de juros a economia se desacelera, pois o dinheiro fica “mais caro”, prejudicando diretamente o comércio que se apoia no crédito, reduzindo o consumo de maneira a baixar as expectativas do comércio para 2005.
A elevação dessa taxa de juros, encontra-se intimamente ligada com as metas de inflação fixadas pelo Governo que, para cumpri-las, adotam uma política monetária rigorosa, que tem se mostrado ineficaz, porquanto não se tem atacado o cerne do problema - os gastos públicos – que não estão controlados e continuam aumentando a cada dia.
O Governo fixou a meta da inflação de 5,1% para o ano de 2005; contudo, a projeção para inflação deste ano medida pelo IPCA, índice usado no sistema de metas e que mede a inflação para o consumidor final, acredita que fechará o ano em 6,39%. Assim, para evitar que a inflação fuja da meta - que é estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional - o Banco Central, através do COPOM, eleva os juros, buscando conter a demanda e segurar as altas de preços.
Por outro lado, no varejo, a segunda prévia do mês de maio para Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe mostrou desaceleração da inflação no varejo, não havendo necessidade de aumento da taxa SELIC, tomando o Governo o sentido contrário da lógica econômica.
O que se anseia é que essa taxa de juros chamada SELIC, diminua a fim de arrefecer o mercado, alavancando as vendas de todo o mercado varejista e, nomeadamente o setor das autopeças.
Dr. Paulo Ribeiro
Assessoria Jurídica / Sincopeças-SP